Auto Flagelo

ImagemMinha mágoa quase transpassa a espessura do meu peito. Não chove lá fora. Mas aqui dentro faz muita tempestade…

Nesses últimos dois dias, rasguei-me em pequenos pedaços. Partículas, talvez.
Pedaços esses que jogo fora, que não te serve e não me serve mais…

Desfigurei-me em gotículas, cada lágrima deixando-me disforme, salgando-me a boca, afogando-me num rio de prantos. 

Não tive noites. Não tive descanso. Não tive consolo. Eu ganhei de presente um vazio, que de você seria o mais elevado apreço.

Um dia eu rasguei teu peito, e hoje você me cortou com a mesma maldita faca. Abriu meu peito. Rasgou meus medos, meu amor, minha ilusão que tinha de você. Me fez crer em alguém, que não, não era você não. 

Desespera-me o fato de não reconhecer-te mais. Não é amigo? Não me quer bem? o que desejava você aqui? Me ferir? Conseguiu!

Agora estou aqui, me flagelando ainda mais. 

Não durmo. Só choro. Como se vive desse jeito? Como se trabalha com o rosto desfigurado?

Não há olheiras e rímel que disfarcem um olhar tão abatido, melancólico, insone…

Canalizei a raiva e agora está difícil expurgá-la do meu peito. Ela pesa tanto que sufoca-me, tira-me o fôlego. Dá vontade de morrer um pouquinho. Dá vontade de te dar esse prazer. Mudar de cidade não adianta, rodear o quarteirão também não, porque essa raiva e essa mágoa me acompanha por onde quer que eu vá. 

Canalizei a raiva! E agora? Alguém tira ela de mim. Positivamente, a usarei de modo que contribua para desapegar-me. Não vou levar você comigo, você não merece isso.

Cumpriu o seu papel direitinho. De vingador. Está feliz. Aproveite e desapegue-se da raiva também.

Encorajar-me-ei, tratarei de lidar com a minha dor. Vou me rasgar, chorar, até que tudo se adormeça. E que tudo se perca nesse vazio sem fim.

Acabou com os meu dias. Mas não posso eu acabar com a minha vida. Ainda tenho muito o que correr. 

Oh Deus, não me deixa esmorecer!! Tire esses sentimentos da minha vida, me torna meio-morta só um pouquinho, indiferente com a vida! 

Não crio  expectativas.

Amordacei o amor.

Mantenho-me afastada das pessoas por ora, algumas porque não merecem me ver como estou.
A dor me desfigurou, prontamente.
Outras, porque simplesmente ignoram me enxergar. Me enxergar na alma.

As músicas só vão acabar comigo, me dilacerar, a bebida não diverte, o sono não descansa.
Olho pros lados e não encontro nada onde a bula diz “alívio”.
E o mundo? Ah, o mundo está se dando ao luxo de correr cada vez mais rápido.
E no escuro, eu tento apenas virar minha página. Minha página cheia de rasuras. 

Eu só tentei seguir, sem olhar pra trás, para não nos machucarmos mais. 

Mas você nunca soube esperar.

Você não se permitiu regenerar enquanto “caminhava” ao meu lado.

A regeneração é um processo lento, doloroso e… indispensável. 
E é você quem conseguirá se auto-recompor. Não os dias, não o tempo.

Ah, tempo! Agora eu desejo que você passe tão depressa! Leve com você toda essa ansiedade! Ensina-me a ser assim, tão fugaz.

Escolher ter uma vida superficial não é ruim, até te livra de alguma dor que traz o sentimentalismo. Mas eu não tô afim. Preciso me distrair, mas não tenho conseguido. Minha cabeça pesa todos os dias. Essa mágoa pesa todos os dias. Essa raiva me consume, cada pedaço meu.

Estou me flagelando, tirando de mim tudo aquilo que é podre, que é ruim, que doe. Expurgo essa dor por meio de lágrimas, que espessas, chegam a doer. Flagelo-me até expurgar você de mim. Inclusive isso tão doloroso que você me causou. Esse buraco que você cavou.

Estou me rasgando ainda, o auto flagelo será permanente até que todas as partes ruins sejam eliminadas.
Sei que você não compreende minhas deficiências circunstanciais. E não é justo que eu o peça para esperar. Para você aceitar.

Você mesmo já tratou de lidar com isso, da maneira mais cruel.
Não vou eu mais me condenar. Nem me desesperar.

Tínhamos combinados o recomeço, um levantar, lembra?

Mas você deu-me rasteira, me driblou, me derrubou! Fez gol!

Pensei que fosse seu amor, fui um jogo! Pra você fui só uma quebra-de-braço. E você ganhou!

Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria

Desafio dos 50 dias

Tanto tempo sem postar no blog acarretou-me uma grande vasculha mental parar lembrar da senha. Perdão, perdão. Não se cuidam dos diários como antigamente. Sim, porque o meu blog não tem nada de artístico, literário, informacional ou jornalístico, apenas leseiras de uma garota que gosta de escrever. E até para escrever leseiras não tenho encontrado inspiração. Não para o blog, agora vê lá no “Facebook e “Twitter”Não fique invejoso, querido-blog-diário, desculpe-me a falta de assunto.

“Não sou poeta e estou sem assunto…”, e se esta frase fosse minha, eu completaria “…AND não sou Fernando Sabino”.

Há meses perdi o hábito de escrever. Não só o hábito, mas também a inspiração. NADA é o suficiente inspirador para se vir até aqui. Confesso também que o Facebook acaba suprindo um pouco a necessidade de escrever. Lá se vão pedacinhos da gente sem um tiquinho de dor. Facinho, facinho. Sentiu, pensou, Facebook. O blog exige um pouco mais de qualidade, forma e conteúdo.

Até que o “Desafio de 50 dias” chamou minha atenção no próprio Facebook. Achei bonitinho os internautas tentando transformar suas postagens em mais alegres, mais poéticas e mais bem cuidadas. Daí, pensei: “E por que não?”. Por que não aceitar o desafio de escrever todos os dias, durante 50 dias? Os temas são quase “Minhas férias”, até porque o desafio deles é fotografia (que descreve mais que mil palavras); Não tendo eu o talento de fotógrafa, nem tenho fotos suficientes para tantos dias, o meu desafio seria CONSEGUIR escrever, pelo menos, mil palavras. Como o Desafio dos 50 dias se trata de assuntos pessoais e subjetivos, aqui, para mim, valerá como uma espécie de “querido diário”. Torceu o nariz quando eu disse “querido diário”? Agora me diz: quem nunca?

Posso começar?

Dia 1: Uma foto sua com 15 ou 10 anos.

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É quase a mesma coisa de eu postar uma foto recente, com pouquíssimas diferenças, quase imperceptíveis. Esta é uma das duas que tenho aqui no notebook, então perdoem-me os efeitos especiais que embaçam a foto (risos). Coisa de uma garota de 15 anos que não tinha o que fazer.

Mais outra?

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Mais uma vez com efeitos especiais. Por isso nunca tentei ir pro ramo de designer ou informática, sou péssima nessas coisas. Sou quase analfabeta, informaticamente falando.

Fui adolescente do século XXI. Peguei toda essa fase boavistente de “dança do macaco”, “dança do caranquejo”, “pipoquetes” e afins, mas já passou, ufa, PASSOU! Mas naquela época, não importava a música ou o ritmo, eu gostava era dançar.

Tinha duas amigas que, juntas, arquitetávamos aos 18 anos sair de casa para viver uma vida independente. Acho até que todo adolescente arquiteta uma coisa dessas, tem isso de brigar com os pais JURANDO que aos 18 anos sairá de casa – para fugir da opressão que todo gênio incompreendido sofre. Mas acontece que meus pais sempre me deram a independência de brinde. Desde que comecei a pensar por minha própria cabeça (o que é deveras perigoso) meus pais me fizeram entender que o meu caminho sou eu quem faço e as decisões sou eu quem tomo. Assim. Desse jeito. Aposto que vocês queriam uns pais desses, né?.

Meus pais nunca me prenderam, ao contrário, sempre me deram corda, corda, corda. Sempre fui aonde eu quis ir. E olha só, nunca fumei dorgas, nem fiz tatuagens malucas, não namorei malandros, nem fui piriguete, nem engravidei, nem acabei com a minha vida (para a frustração dos vizinhos e parentes fofoqueiros). Provei para os meus pais que merecia confiança, e eles continuaram me dando corda. Destarte, saí do plano de viver-sozinha-independente. Eu já tinha isso, mesmo dentro de casa. Eu tinha certeza que logo, logo já teria um bom emprego, e depois, estabilizada. 

Mas sim, não vou esconder, não. Oh, céus. Dei um certo trabalhinho para os meus pais! Que o diga minha mãe. Gostava de namorar com homens mais velhos, e isso deixavam meus pais de cabelos em pé. Bem como meus irmãos. Com quinze anos, eu me achava “muito adulta”. Oh, céus. Até que arrumei um namorado apenas três anos mais velho, o qual meus pais aceitaram na boa, e foi com ele que passei toda a minha adolescência.

Gostava muito de ler. A adolescência foi o período em que mais li na minha vida. Foram muitos livros. Uma vida toda no mundo da lua, no mundo da fantasia… E eram todas essas estórias e esse mundo dos livros que fizeram com que eu tivesse muitos sonhos mirabolantes, e muito gás para correr atrás dos meus objetivos. Sei lá em que mundo vivia, mas eu acreditava que podia tudo.

Era muito aplicada nos estudos. Era o orgulho da família. Ganhei concursos de redação a nível municipal e estadual. Ganhei medalhas de “aluno nota 10″, “aluno destaque”, os quais minha mãe guarda com  muito carinho (cof, cof, cof)… Se ela guarda até o meu umbiguo. Escrevi um teatro, o qual fez o maior sucesso na escola e em outras escolas. Era a “queridinha” das professoras de Produção Textual.

Foi a época em que mais arquitetei planos, muitos dos quais realizei. Sonhava em ser médica ou advogada (já era bem indecisa). Planejava, como todo boavistense, ser concursada pública (mas era só pra não ter que trabalhar o dia todo). Fiquei a um triz de ir estudar medicina na UFAM, por um triz. Joguei tudo pro ar e fui fazer Direito na Atual, que é bem pertinho da minha casa. Decisão esta que me faz ser castigada até hoje. Mas não me arrependo. Isso que importa. Né não? 

 Eu gostava mesmo era de música. Achava genial o rock politizado do U2, Jon Bon Jovi era (era?) lindo, Madonna ótima para dançar, Bee Gees era fofo de ouvir e cada música dos Beatles era uma nova descoberta. Sim, eu gosto das músicas dos anos 80. Meus amigos e eu sabíamos de cor todas as músicas da Legião Urbana. Cazuza só fui gostar mais tarde, até porque Cazuza fala diretamente com mulheres loucas, e isso eu também só descobri, sobre mim, mais tarde.

Adolescência lembra Bon Jovi, lembra livros, lembra dança, amigas sentada na calçada para falar dos “gatinhos”, lembra amigas de infância, lembra eu de busão indo pra escola todos os dias, “melhores amigas”, toda garota já teve a sua, lembra cartinhas na época da escola, o tênis, a fardinha do CEFET/RR, o CEFET/RR quando era CEFET/RR, lembra professores maravilhosos, mentores e inspiradores, lembra conquistas, lembra muito choro, muitas gargalhadas, meu primeiro amor, meu primeiro beijo, minha primeira vez. Apaixonei-me pouquíssimas vezes. Nem contam os dedos de uma mão só. Aliás, cultivo esse hábito até hoje, pois se antes eu já era chata e exigente, imagina agora que tudo leva mais tempo para mudar de lugar.

Relembrando a adolescência, vejo que poucas coisas mudaram. Embora não tenho sonhado tanto, como outrora, e, por consequência, não tenho arquitetado e bolado planos geniais. Aos quinzes anos, eu era imbatível e infalível. Aonde foi parar a mulher-maravilha? O fogo apagou? Nãão, claro que nãão. Só preciso mergulhar um pouco mais no mundo da fantasia, como eu fazia, e vir cheio de gás para a realidade. Eu sinto que é disto o que preciso.

Por Danielle Viviane Postado em Diary

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 4.300 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria

Tudo de novo!

Este fim de ano tem sido bem atípico para mim. Quedê empolgação? Quedê espírito natalino, festeiro, dançarina? O fogo apagou? Cresci? Cadê esperança? Cadê dança? Cadê a listinha de promessas para o próximo ano? Não tem listinha. Não tem promessas. Nem planos. Aderi o “ir vivendo o que for sendo”. “Um dia de cada vez”.

E neste natal, o que eu fiz? Nothing!

Sou ré confessa: não telefonei para  quase ninguém no Natal, não mandei cartão com votos de renovação de esperança para os meus amigos, nem mesmo pelo correio virtual, o que não tomaria apenas alguns minutos do meu corrido tempo.

Também esqueci de me lembrar que Natal é mais do que peru e reunião familiar, e nem é culpa do ceticismo ou de falta de intimidade com o universo religioso, tampouco tenho alguma coisa contra o Natal, é simplesmente por não estar conectada.

Pode ser que no ano que vem eu comece a comprar juntamente com a minha mãe os enfeites para a árvore de Natal com três meses de antecedência. Pode ser que no próximo ano eu enfeite a árvore de Natal. Pode ser que eu sinta vontade de ligar para Deus e o mundo. Pode ser que eu mande um e-mail para você com animações natalinas e com um Papai Noel falando “ho ho ho”. Ou pode ser que não.

Natal, Reveillon, aniversário… tudo isso pra mim é estado de espírito. Eu, por exemplo, costumo fazer mais de um aniversário por ano, ter mais de um Reveillon. Sempre acontece quando eu mudo. Quando eu sinto que alguma parte de mim se transforma para melhor, eu “aniversario”. Quando a vida me mostra novos rumos, é ano novo dentro de mim!

Também não é por mal que, às vezes, eu não telefono no dia do aniversário. O motivo é quase sempre o mesmo: eu esqueço. Tenho um problema sério com datas mas, mesmo quando lembro, só telefono se eu estiver conectada de alguma forma com o aniversariante. Se for única e exclusivamente para seguir protocolo, pode esquecer! Pra mim, só existe contato válido se os votos são reais, se existe alguma coisa realmente boa para ser compartilhada.

Quando eu me compreendi assim, parei de me forçar a fazer o que manda o figurino em datas comemorativas e me senti livre… livre para seguir a risca o que o meu coração manda, independente do dia do ano. Por isso aqueles por quem eu tenho amor, respeito, gratidão, admiração e/ou amizade recebem de mim cartas inesperadas em datas atípicas, e-mails inspirados, presentes personalizados, palavras doces, sorrisos genuínos, gargalhadas espalhafatosas, abraços apertados, telefonemas empolgados… e é deles que eu também recebo os melhores presentes.

De todos os votos de fim de ano, eu desejo a vocês o sol. Pra aquecer, para secar o que ainda estiver úmido e para derreter o que era gelado. No mais, desejo TUDO NOVO DE NOVO!

E de tudo o que quero mudar (de novo), a única coisa que eu não quero que mexam é no meu sol, nem mesmo no inverno. Porque é dele que eu recebo os mesmos raios de luz que irradio.

Sol pra quem me lê, pra quem olha através da minha janela, e para quem entra aqui a fim de poetizar, distrair, rir, emocionar, ver e ler o cotidiano da vida acontecendo. Pra quem quer me ler… sol, muito sol, como profundo agradecimento pela companhia e pela partilha de luz que entra e sai.

Tudo novo de novo, menos essa troca natural de empatia com o universo, maior que do qualquer apatia que o mundo oferece o tempo todo.

E mais uma confissãozinha antes de partir pra 2012: sabem o que eu quero muito, muito mesmo? É ver 2011 pelas costas!  E algo me diz que eu não sou a única!

E para fechar o ano com chave de ouro e começar a próxima contagem de tempo com a energia renovada, eu escolhi essa música que é mais do que um hino, é a minha oração:

Tudo Novo de Novo (Moska)

“Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos.”

Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria

Então é natal? E o que eu fiz?

2011 foi um ano particularmente bizarro. Chorei muito… Muita tristeza massacrando minhas emoções e razão. Por outro lado, melhorei um pouco mais o meu padrão de vida, voltei minha atenção às necessidades da minha casa. Senti-me muito sozinha, desamparada, apesar de poder contar sempre com amigos e família por perto. Trabalhei muito, embora não tenha feito muitos planos. Abandonei um monte de coisa legal, porque também não queria seguir regras, cumprir horários, escrever, ter ideias.

Também não farei planos para 2012, mas queria recuperar minha vitalidade e a vontade de escrever. Ando ansiosa com alguma coisa que não sei o que é. Acho que anseio pela janela aberta, pelo sol, pela luz, pelo ar. Que o mundo vá além do que meu coração sente.

Pensando bem, acho que vou fazer uma listinha… Sobre qualquer coisa. Planos? Promessas que não vou cumprir? Quem sabe?

Enquanto não decido onde é o meu lugar, tenham todos uma boa viagem.

Feliz Natal pra todos. E não esqueçam o meu presente!

Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria

Não vale o caretismo

 

Eu, particularmente, não sou de aderir à campanha “Não dê dinheiro”. Embora eu não sou lá de me preocupar tanto assim com as pessoas ao meu redor, eu não me faço de invisível para esses “pedintes”. Se eu tiver para dar, eu dou.

Quando eu digo que não sou muito de me preocupar com os problemas do mundo, não é questão de ser ‘egoísta’. Em minha defesa alego que não é insensibilidade. Não gosto (e nem me acostumei) a olhar para as pessoas para saber o que se passa em suas vidas.

Às vezes dou esmolas, porque por algum motivo aquela pessoa me sensibilizou. Não fico pensando se está me enganando, que as mães usam seus filhos para conseguir dinheiro, ou pra gastar em cachaça e tudo mais. Não gosto de ser incomodada naquelas viagens de ônibus, com pessoas vendendo não sei o quê e contando uma história triste. Na verdade eu nem ouvi nada do que ela disse, mas percebo quando ela tá ali trabalhando com honestidade. Se é verdade ou não, não me importa. Aconteceu de ter me sensibilizado e pronto.

Dia desses estávamos eu e uns amigos, e chegou uma pessoa que se dizia aidética, vendendo umas canetinhas. Nem contou história triste, nem ficou se fazendo de coitada… parecia meio drogada, mas disse que se a gente pudesse ajudar, que seria uma grande ajuda. Naquele dia eu realmente não tinha nenhum trocadinho, mas tinha algumas moedas, e o que eu tinha eu dei. Não me achei nobre, nem fiquei tão sensibilizada assim, mas vai lá, que Deus te abençoe.

Um amigo ficou questionando, dizendo que não dá dinheiro, que esses aidéticos tem tudo de graça, que o governo paga tudo, que podem trabalhar, blá, blá, blá. Eu não discuto essas coisas. Ele até pode estar certo, mas sabe o que eu acho disso tudo? Sabe qual a diferença desse pessoal que pede esmolas, que vende canetinhas, que incomodam a viagem no ônibus… sabe qual a diferença deles pra gente? Só a posição social, porque TODO MUNDO nessa vida precisa de um favor. E é isso que essas pessoas fazem: te pedem um favor, o de ajudar. Sabe quando você usa frases como: “Pôxa, dá pra você quebrar um galhão pra mim?” ou “Caramba, tô precisando de um favorzão seu…”. Sabe?

Ainda bem que você tem família. Ainda bem que você tem amigos que podem te ajudar. Ainda bem que o favor que você precisa dos outros não é para sobreviver. Às vezes até é. Às vezes você até tem que contar uma história triste ou às vezes é algo que você precisa/quer muito ou você simplesmente quer muito sorrir naquele dia, não importa. A diferença está em quem está pedindo, e, principalmente, em quem está ouvindo.

Longe de mim querer salvar a humanidade. Não tenho dinheiro nem pra mim, moço. Mas, do meu jeito, também preciso das pessoas. Bom senso, solidariedade, sensibilidade, humanidade, piedade… Não importa o nome que você dá às suas ações ou a quem. Só não vale ser tão careta e covarde.

Einstein dizia que o mundo seria salvo se os homens de bem tivessem a ousadia dos canalhas. Voltaire dizia que é melhor inocentar um culpado a culpar um inocente e, completava, dizendo que todos são culpados de um bem que poderia ter sido feito mas não o foi. Não são esses os paradigmas que direcionam nossas ações (de uma maneira ou de outra)?

Enfim, somos bons, mas covardes, maus e corajosos, culpados e livres, inocentes e presos (mesmo que na prisão de nossa consciência). Ou seja, não somos perfeitos e nunca seremos. Seremos maus, bons, corajosos e covardes, mas, creio, que o resultado final é que nos caracterizará.

Fomos mais maus que bons? Mais covardes que corajosos?

Na verdade sei que esse é um tema delicadíssimo… Não sinto pena de todo mundo, nem acho que todo mundo é coitadinho, nem acho que devemos sustentar “a classe”… Só acho que realmente há pessoas que precisam de um favor, e neste caso evito critérios, porque eu, por exemplo “sofro”, pq todo mundo acha q eu NÃO preciso de nada. As pessoas não acham que tô pedindo um favor. Elas sempre acham que tô querendo ser mimada. E eu sempre tenho que ficar provando por A+B que aquele favor é importante. :(

O papo é meio assim “desculpa incomodar sua viagem, mas dá pra fazer esse favor pra mim, porque TÔ PRECISANDÔ!”

Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria

Melodórica

 
 
A gente tem a mania de querer dar nomes a sentimentos que nao tem, a definir o indefinível e rotular a tudo e a nós mesmos. Nunca achei uma palavra que me definiria, embora muitas me caibam bem como, por exemplo, “desastrada”, “desatino”, “exagerada”, “ciumenta” (eita, só coisa boa né? =/), no entanto, é muito pouco para todo o meu “eu”, porque eu sou duas, eu e eu-lírico. (Porque metade de mim e Danielle, a outra metade Viviane. E não, eu não sou bipolar, eu sou mulher, é diferente)… Como ia dizendo, nao existe(ia) uma palavra que me cabe(iam)… Até o meu amigo Silas Oliveira, uma certa vez, ao ensinar-me música via MSN, explicou-me sobre “Melodórica”. Bem como também sobre Harmonia. Mas harmonia não combina comigo, já que sou “desequilibrada”, então o “Melodórico” chamou mais a minha atenção. Não lembro nem o que é isso, mas nunca mais saiu da minha mente. Achei bonita, a palavra. Lembrei da Clarice Lispector falando sobre Melodrama. Melodrama é forte, pesado. Melodórico é mais suave. “Não sou dramática, sou melodórica”. Claro, dei outro sentido para a palavra. Mas é válido. Música sempre causa sensação de nostalgia mesmo. Causa dor, ás vezes. Melodórica seria a combinação de melodia + dor, melosa+dor, coisa de gente sensível demais, sabe? Tipo, eu! Toda melodórica. Tinha até esquecido que existia essa palavra. Nem gosto de me conceituar. Quando o faço, é só pra brincar, fazer graça, mas eu gosto mesmo é do abstrato. De reiventar todo dia. Conceituar é tornar definido. Justo eu, que sou inconstante, volúvel? (olha eu, me definindo.. tsc – apaga). Eu sou muitas, no entanto sempre a mesma, a mesma que todo dia quer ser diferente. Se eu me defino, é soh por um momento. No outro, eu vou querer mudar. Até porque ser “felizinha” todo dia vai causar rotina e isso é chato, e ser triste eternamente ninguém aguenta… Bom é ir vivendo o que a vida oferece. E se ontem eu estava alegre demais, hoje eu sou melodórica…
Se me vierem com “Oi, tudo bem?”, eu responderei “Tudo melodórico, e você?”. E você?
Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria

Quem gosta de brisa é pescador, gosto de mar bravo e muita tempestade

 
 
 “Save your soul… Because the mind already is mine”.
 
 
Não nado em piscina rasa, pois só gosto de mergulhar profundo. Claro, isso é apenas uma metáfora, porque você sabe, eu não sei nadar. Assim como também é metáfora eu dizer que gosto de mergulhar na alma, tua alma, mas diferentemente de nadar em piscina, este tipo de mergulho eu conheço bem. Mas claro, isso você também sabe.
 
Metódica e exigente com meu coração, não seria diferente. Nunca quero pouco. Nunca quero nunca. Eu quero sempre. E sempre quero mais. Dizem por aí que os olhos são o espelho d’alma, não busco a sua aprovação, o seu amor, afinal, nunca estou satisfeita por inteiro, quero a sua alma que é o seu bem mais puro e valioso. Aquele amor benigno que vem de dentro, que não machuca e não maltrata.
 
De repente, o amor está baseado naquilo que se exige o impossível. Se podes facilmente me dar isto, quero aquilo, porque o amor não é fácil e eu, também não.
 
Louca? Não. Apenas não gosto de comodismos. Sempre vou te sacudir, te tirar da sua zona de conforto. Não penses em ficar na maré boa comigo. Aqui, a correnteza é das brabas.
 
Sei que me julgas realmente louca. Então, eu sou? Não, não me faça pergunta difícil. Nem ouso responder, tamanho o enigma. Mas já me disseram que o amor anda de mãos dadas com a loucura, então, eu estou bem mais perto do amor do que imaginas. Ali, andando lado a lado. Grudadinha. E como não sei nada de cozinha, eu erro a receita e adiciono pimenta, deixando tudo mais quente, para você e para mim… Ou seria para nós?
 
Além de louca, eu sou chata. Não nego meus defeitos ou qualidades. Quero que me entendas, que me compreendas, que me conheças, mas não por inteiro, afinal o que conheço não me surpreende e o que não conheço me excita. Conheço a sua mente, seus pensamentos mais íntimos, mas não me basta, quero mais.
 
Eu enxergo você, observo você, sei tudo sobre você. Ou quase. Acho justo que me conheças também, mas não tanto. Desejo que fale do seu eu tão escondido. E que me ouças também. Porque tem que ser um homem tão difícil?!
 
Toque-me, com toques suaves e beijos, ora sutis, ora vorazes. Ouça-me com os ouvidos do coração. Desligue um pouco a voz razão e se jogue.
 
Dispenso migalhas, não sei amar pela metade, tu me oferecestes amor, agora eu o quero, sem restrições. Porque não aceito esmolas de amor, nem de carinho, nem de atenção. Sou filha única, benzinho, acostume-se com a pressão. Não vou querer pedaços. Nem me importo com completude, quero imensidão.  
 
Repudio a superficialidade dos sentimentos. Porque eu não sou a margem, sou o oceano. Que apenas visita a praia para quebrar o tédio.  Não sou calmaria. Sou agitação. Sua mente já é minha, então porque me negas a alma?
 
Adoro quando seus pensamentos transbordam, unidos ao desejo e se misturam com seu cheiro em minha pele. Quando parece que o corpo não tem mais fim. Quando a pele não marca mais o limite entre o interior e o exterior. Quando parece que não se tem mais pele. E que também não se tem carne. E nem ossos. Um strip-tease da alma. Sendo eu a única expectadora desse espetáculo. Ingresso exclusivo. Porque, de fato, a tua mente agora é minha. Resta-me ganhar o prêmio final, o que faz de você esse alguém único.
 
Não, eu não quero te assustar. É que eu não sei amar com medida. E comigo só acontece assim, desse jeito desproporcional. E isso me deixa exausta. Eu devia ter um amor do tamanho do meu corpo e não do tamanho da minha alma. Mas infelizmente, nem tudo é como queremos. Sorte é que não sofro com isso, porque o meu amor eu guardo para os mais especiais, mas não posso dizer que cativo apenas esses amores.
 
Quem me dera um amor tranquilo e que me satisfaça. Mas eu não sei amar assim. É esse meu jeito de querer sempre mais, é o meu eu gritando para sair de dentro desse emaranhado de ideias e sentimentos. Minh`alma só tem pressa, não tem calma, sei que tu me amas, mas seria isso o suficiente?
 
Não, quero mais do que esse ser submisso, quero aquilo que você não pode me dar, mas que certamente conquistarei através das nossas almas.
 
                                                                       
                                                                                                    * Parceria com @camilabill
Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria

Nosso amor em preto e branco

Vem me levar

[Escrito por Ana Suy]

Amanhece aqui. Aí é sempre noite. Sei lá de que cor é a minha vida, mas sei que a tua é em preto e branco. Tua alma parece ser contornada por tristeza, mas é só uma beleza calma. As pessoas tendem a confundir alegria com euforia. E eu sempre soube da tua euforia interna. Desde a primeira vez que te vi (e te olhei muitas vezes até te ver), enxerguei as cores do carnaval que acontece dentro de ti. Preto. Branco. Preto. Branco. Preto no branco. Tudo muito objetivo, quase óbvio. Tudo organizado e etiquetado. Tua alma cheira a faxina, tamanha a repulsa que você tem pela tua zona interior. É, sim, zona. Lugar de putaria. Mas você, todo insatisfeito, não cansa de etiquetar as coisas que sequer têm nome. Arrumar as coisas que nem visíveis são. Ordenar por cor como se tivesse cor. Tua vida é preto e branco, meu amor, não há tanto o que pensar. E aí, como querendo uma baguncinha na sua alma, recebi um convite pra entrar na tua vida. Nem sei quando foi que aceitei, mas de repente eu já estava aqui, toda inundada na tua existência. Você me trouxe para a tua organização, e de vez em quando me deixa entrar rapidinho na sua alma. Bagunça. É só isso o que sei fazer. De que serviria arrumar o que já está arrumado? Minha vida não é pleonasmo, querido. Não vejo sentido nos teus sentidos, assim como sei que você não vê sentires nos meus sentires. Nosso amor se faz de nove desencontros pra um quase-encontro. Você se irrita comigo e faz questão de deixar claro, é sempre preto no branco. Eu quero te matar umas três vezes por dia, mas cê sequer tem notícias disso. Acho que amor é justamente isso. Quando você quer matar a pessoa, mas não o faz porque sentiria falta dela. E sendo assim, respiro e sorrio, enquanto bagunço a tua vida. Você olha pra mim e só sabe não saber o que eu quero. Respiro e sorrio, enquanto a vida me escapa, enquanto o tempo me assalta, enquanto você me rouba de mim mesma. Respiro e sorrio porque não sei o que fazer, não sei do que gostar e nem o que querer. E às vezes eu te odeio só por isso, por me levar. Talvez um dia eu é que te leve. Pensando bem, cê é meio pesado… Talvez também, eu goste de ser levada. Da breca, né.

 E eu sei que quando leres o texto acima, pensarás tão forte quanto eu que, foi escrito por um terceiro, mas fala exatamente de nós. Existe mesmo um casal que vive um romance tão igual ao nosso? Pode até ser ficção a história acima, mas a nossa não é.  Porque não poderia ter uma descrição melhor para explicar como acontece (dentro e fora da gente). Porque tu és a concentração, o planejamento, a mentoria, enquanto eu sou a bagunça que desorganiza teu coração. O colorido que tenta permear por entre o impenetrável mundo em preto e branco. Nossas brigas sempre foi no sentido de quem leva quem. Quem será levado? Acontece que a gente age no impulso, no embalo. Nem sequer notamos que íamos sendo levados, ambos, pelo amor, até aqui.  Ih, e agora? Pra onde ir? Vamos navegando, até onde o barco atravancar. Até encostar em uma ilha. Pra nos amar? Pra mudar de barco? Pra recarregar o motor? Sei, você também tem muitas perguntas. E achas muito forte o brilho que sai da minha cor/cores (porque eu sou muitas). Elas te cegam. Mas te enchem de amores. És atraído, mas receioso de entrar no arco-íris. Preferes preto e branco, preto e branco, pois é previsível. E isso é confortável. E eu posso ser tudo para você, menos confortável, menos previsível, menos calmaria. Você me fala de custo x benefício. Acomodação é sacríficio (hein?). Também não entendi (mentira). Mas tem lógica.  O amor não. Este não tem sentido nenhum, e, mesmo assim, nos faz sentir tanto. Senti muito. Sentimento. Levarei comigo o lamento se fores partir. Mas as minhas cores não servem para pintar o teu mundo, os teus sonhos, e o meu mundo é muito extenso/intenso para caber apenas duas cores. Que estranho são os amores. Você pergunta: “para quê cores?”. É  o mesmo que perguntar, “para quê vida?”. E mesmo assim insisto em pensar que amar-te é a saída (que mania absurda de escrever rimando, aargh). De vez em quando irrito-me comigo, de-vez-em-sempre irrito-me contigo, ‘vezemquando’ eu bagunço tudo, porque o “muito arrumadinho” torna difícil o meu pensar. Precisamos pensar. Yeah, temos que pensar. Enquanto isso, vamos vivendo nosso amor em preto e branco. Você, querendo inutilizar meus pincéis de pintar. Mas ‘vezemquando’ escapo, e deixo que dancem as minhas cores. ‘Vezemmuito’.

Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria

Palavras são o meu antídoto

 

 

“Eu não sou linear. Eu não sou uma pessoa terminada, eu não quero rótulos nem roteiros prontos, não existe começo nem fim em mim. Eu existo. Não sou produto, sou só coração. Vivo em um meio que me parece eterno. Um meio que me faz escrever, ser e mudar a cada dia. Se eu começasse a escrever minha vida, seria assim: … Percebe? Eu sei que sim. Eu sou reticências. Sou 3 pontinhos. Sou o não-dito. Sou emoção e desejo. Palavras são o meu antídoto. Anti-monotonia, anti mau-humor, anti todo o amor que não há.”

                                                                                                                                  (Fernanda Melo)

Por Danielle Viviane Postado em Sem categoria